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Ria do seu passado

04/07/2011

Uma mania que sempre existiu na internet foi a de pessoas se auto-classificarem como azaradas. É comum encontrar textos, videos ou podcasts de pessoas dizendo que são As Mais Fodidamente Azaradas E Sem Sorte De Todo Planeta, e logo em seguida narrarem um fato engraçado sobre esse acontecimento. O que que eu tô falando? Eu sempre faço isso.

Então vamos agora a mais um raro texto publicado por mim, surpreenda-se com as minhas novas descobertas sobre o mundo de mim mesmo, deleite-se com a qualidade literária que forneço tecendo essas humildes palavras na ordem mais conveniente possível. De nada.

Esses dias eu estava analisando alguns acontecimentos da minha vida – como por exemplo o dia do copo na rodoviária, o dia em que atolei o carro da minha tia no meio do nada, o dia em que peguei ônibus errado em Campinas, o meu reveillon do ano retrasado dentro de uma barraca no pé do morro em baixo de chuva torrencial, o segurança gigante me expulsando de um dormitório nos EUA, entre vários outros que citarei ocasionalmente em algum momento ainda não determinado – e logo me vem a cabeça que sou muito azarado e que esse tipo de coisa só acontece comigo. Porém, pensando e refletindo um pouco mais acerca destes fatos, eu acabei concluindo que tenho é sorte.

“Mas sorte, como assim, Zeca? Tá maluco?” – eu mesmo me indaguei após ter concluído esse absurdo, mostrando que me perco facilmente na linha de raciocínio quando estou pensando SOZINHO, imaginem então a dificuldade que estou tendo para formular uma explicação sucinta deste absurdo.

Então… sorte, como assim? Seguinte, é simples… Calma, nem tão simples. Eu comecei a escrever esse parágrafo umas 3 ou 4 vezes, sério. Mas agora eu pensei num resumo ideal: é simples pelo seguinte clichê e pensamento otimista BARRA (/) conformista: poderia ter sido pior. Algo a mais poderia ter acontecido, digo, vários algos a mais poderiam ter acontecido. E aí sim, meu amigo, o Zequinha aqui entraria pra classificação de Rei do Azar. Se tudo acabou tão bem no final, a ponto de permitir risadas de MIM MESMO após minutos do próprio acontecimento, aquilo foi sorte. Rendeu um novo post no blog, por exemplo (ou era pra ter rendido, se num fosse minha preguiça e falta de compromisso para com os milhares de leitores deste tão famoso espaço virtual).

O que concluir com isso? Nem eu sei, esse é o motivo de ter começado a escrever esse texto em meados de 2009 e nunca ter conseguido terminá-lo. Talvez a moral da história seja a seguinte: se você está vivo, ria do seu passado. E lembre-se dessas histórias para contar aos seus netos.


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