Archive for novembro \22\UTC 2011

Perdido e atolado em Ilha Comprida – Parte 1

22/11/2011

Já que no post passado eu listei alguns eventos de grande influência do azar sob minha vida, chegou a hora de mais uma exemplificação dessa minha atratividade para histórias engraçadas que [SPOILER!!11one] terminaram tudo bem.

O fato que narrarei aqui hoje ocorreu um fim de semana antes da segunda fase da FUVEST, quando fui à praia com meu pai encontrar o resto da família, que já estava lá. Era janeiro de 2008, estou me esforçando para lembrar de tudo. Aliás, eu comecei a escrever esse texto em 2008 mesmo, mas minhas muitas ocupações como bixo na faculdade nunca permitiram que eu o terminasse. Agora que estou no quarto ano e minha agenda é bem mais livre (hahaha!), achei esse rascunho e arranjei tempo de finalizá-lo.

A praia em questão é Ilha comprida, uma cidade no litoral sul de São Paulo que faz divisa com o Paraná e – pode acreditar – também é uma ilha. O nome foi dado devido a seu comprimento notável, são aproximadamente 70km de praia e, em média, uns 3km de largura.

Mapa da Ilha Comprida

Ilha comprida é deserta, sensacional. Quer dizer, até uns anos atrás o acesso era de balsa, até que fizeram uma ponte e ir pra lá tem ficado sem graça desde então. Ouvi dizer até que estão asfaltando todas as ruas e as praias lotam de farofeiros nos fins de semana. Mas o que vale pra essa narrativa é o que tem na minha memória, e como era o lugar naquele dia.

Meus avós tem casa lá já faz uns 20 anos, num lugar afastado uns 17km do boqueirão (centrão), o que até pouco tempo garantia uma praia quase particular, onde o espaço era dividido apenas com alguns caiçaras pescadores, como o Seu Gildo, também dono do marcadinho, carrinho de sorvete, barzinho e central telefônica daquele balneário. Sim, só existe (ou existia, já disse que faz tempo que não sei dos progressos daquele lugar) um telefone fixo por lá e o sinal de celular chega a ser negativo.

Carro na Praia de Ilha Comprida

No começo de 2008 eu tinha acabado de tirar minha carta de motorista, e o carro da minha tia estava com problema na bateria, o que a obrigava ligar o carro de tempo em tempo, até que fosse consertado. E essa era minha tarefa.

Quando você ganha um presente novo, usa com que frequência? All the time. Lembro quando ganhei meu PlayStation 1 de Natal e virei a noite jogando… TODOS OS DIAS DAS FÉRIAS.

Logo, eu gostava muito da tarefa de ligar o carro da minha tia de hora em hora, ainda mais porque podia dar umas voltas com ele de vez em quando e justificar minha recém adquirida permissão para matar dirigir.

(Aliás, notem como estou velho. Tirei a carta com 19 anos de idade, ou seja, um ano depois do que poderia ter tirado, e ano que vem já terei que renová-la! RENOVAR CARTA É COISA DE PAI! Eu lembro quando meu pai renovou a CNH pela primeira vez, não faz muito tempo. Ok que a lei mudou, mas mesmo assim, o sentimento não muda, nada vai mudar o fato de que sou um idoso fazendo exame médico pra renovar carta, assistindo só os dois primeiros blocos da Praça é Nossa e dormindo logo em seguida. E acordando pra assistir Globo Rural no dia seguinte.)

Não que fizesse diferença ter ou não ter carteira de motorista em Ilha Comprida, não há viaturas de polícia naquele lugar – eu pelo menos nunca vi. O mais próximo de uma autoridade que passa por lá são helicópteros do IBAMA (ou algum orgão equivalente) sobrevoando aquele patrimônio natural da humanidade em busca de pescadores ilegais ou pessoas cometendo crimes contra o meio ambiente. Acho que dirigir sem carta se enquadra menos que fazer xixi no mar.

Enfim, eu gostava de pegar o carro e sair dirigindo pelas poucas ruas de areia do balneário, mas nunca passava a pontezinha. Nunca. Era um dos limites impostos pelo meu pai: 1) não entrar na praia (os carros andavam livremente pela praia, inclusive o ônibus circular que aparecia dia sim, dois dias não); 2) não correr, por motivos óbvios; 3) nunca, em hipótese alguma, passar da pontezinha, que dava pra um caminho alternativo ao da praia pro boqueirão, além de também levar ao mar pequeno – o outro lado da ilha, que na verdade era um rio. Era uma estrada reta, cercada de mato de vegetação típica que eu não saberia descrever e nem o nome correto que aprendemos em aulas de geografia – que junto com história era a matéria que eu mais me dei mal no ensino médio. A única coisa que eu sabia daquela estrada era que ela dava em uma cabana de um pescador que vendia peixes e camarões bem baratos e vivos.

Então. Acontece que minhas voltinhas de carro estavam ficando muito chatas, aquele lugar era realmente muito pequeno e desde criancinha eu já conhecia tudo. Já havia percorrido aquele território a pé, de mini-buggy, e até de bicicleta – inclusive, eu atropelei uma criancinha de bicicleta uma vez, mas isso é outra história – e chegou um dia que eu resolvi ousar atravessar a pontezinha, que mal poderia me acontecer?

Você fica sabendo no próximo post.


%d blogueiros gostam disto: